Diz que a reforma ortográfica vai entrar em vigor no começo de 2009, Portugal endossando ou não – galera não poderia se importar menos com os lusitanos, que estão enrolando há tempos e boicotando a insurreição no Aurélio (shame on you, Sá Guimarães). Podia ser até bonito de se ver: ex-colonizados na tomada revolucionária da língua-mãe.
Mas o fato é que eu senti um aperto no âmago da minha sintaxe. Despeito mesmo. Eu que me dedico tanto a burilar a ortografia e deveras me esmero na gramática fui subitamente rebaixada a uma pessoa que escreve “enjoo” e “para” como se fosse verbo. Oh, senhor. Daqui a pouco já não tem mais diferença entre traz e trás, vira tudamemacoisa.
E o que mais está me matando é a execução sumária do trema. Dicolé, gente, o trema realmente faz diferença na palavra. Cinqüenta e cinquenta são coisas diversas, pô. Pra começar, a segunda versão tem um tracinho vermelho bem acusativo no Word.
O guia malvado das mudanças diz o seguinte: “o trema deixará de existir, exceto em nomes próprios e seus derivados”. Ou seja, a não ser que meu filho chame Anhangüera, posso dar adeus aos pontinhos supra-simpáticos.
Mas o fato é que eu senti um aperto no âmago da minha sintaxe. Despeito mesmo. Eu que me dedico tanto a burilar a ortografia e deveras me esmero na gramática fui subitamente rebaixada a uma pessoa que escreve “enjoo” e “para” como se fosse verbo. Oh, senhor. Daqui a pouco já não tem mais diferença entre traz e trás, vira tudamemacoisa.
E o que mais está me matando é a execução sumária do trema. Dicolé, gente, o trema realmente faz diferença na palavra. Cinqüenta e cinquenta são coisas diversas, pô. Pra começar, a segunda versão tem um tracinho vermelho bem acusativo no Word.
O guia malvado das mudanças diz o seguinte: “o trema deixará de existir, exceto em nomes próprios e seus derivados”. Ou seja, a não ser que meu filho chame Anhangüera, posso dar adeus aos pontinhos supra-simpáticos.
Aproveita, portuguesa, que ainda por uns bons meses você pode escrever maïs e Raphaël sem medo de errar.
Um comentário:
compadeço-me de sua angústia e endosso sua revolta, marangoni. chamem-me de purista, conservadora ou o que for, mas continuo a pensar que a língua portuguesa está perfeitinha tal como é atualmente. e não é minha veia lusitana se manifestando, tenha certeza. aliás, bem sabe que a alcunha vem menos de um orgulho [que seria um tanto infundado] que de um escárnio presente do acaso. verdade é que, malgrado a origem da língua seja o país do tejo, sua importância é deflagradamente reduzida em vista da magnitude do português brasileiro – levando em consideração somente o número de falantes. a ressalva das outras ex-colônias seria válida não fosse a influência das novelas, tanto na língua quanto no comportamento, me dizia outro dia um angolano que encontramos numa fila. o rapaz português que mora ao lado, conta com certo rancor a decepção que sente quando é interpelado aqui por um estrangeiro, nem sempre francês, que diz falar português, mas cuja pronúncia dos esses no final das palavras denuncia qual das modalidades aprendeu. sinto que rola um despeito grave da repercussão que causamos no mundo em relação à deles. se digo brasil, ouço seleção, carnaval, samba, futebol, caipirinha. verdade, é clichê mas a galera tem alguma noção. se ele diz portugal, geral olha torto, sobretudo pelo histórico de migração portuguesa que existiu na frança no século passado. vieram aqui pra fazer merda depois foram embora [déjà vu?]. particularmente, o fato de os portugueses falarem que nem carioca não me incomoda. sotaque é diversidade, pô, coisa bonita, constrói a identidade. agora se for pra despir os verbos de grampinhos, chapeuzinhos, entre outros simpáticos adereços, eu é que visto a roupa e vou embora. se o objetivo da reforma é unificar pra simplificar que ensinem os portugas a escrever na ordem direta, largar dessa firolagem de pôr pronome em tudo e suprimir os cês antes dos tês.
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