quinta-feira, 17 de abril de 2008

Extraño

Um envelope azul piscava insistentemente no canto superior direito do meu celular.
Caixa cheia.
Eu odeio apagar mensagens. Odeio apagar, jogar fora ou perder coisas que me lembram da minha vida e do que eu já passei. Sou apegadinha mesmo, tenho uma gaveta abarrotada de cartas, bilhetes, convites, cartões e suvenires que eu acumulei ao longo do tempo. Se você já escreveu alguma coisa para mim, talvez “que aula chata”, num pedaço de papel amarrotado do canto do seu caderno, pode saber que está lá. Distração para os tempos de Alzheimer, quem sabe. Ou então forte indício de que vou virar uma daquelas velhas que nunca se livram de nada e têm a casa ocupada por gatos e quinquilharias inúteis, à revelia da família.
Pois bem, devaneios à parte, comecei a tarefa ingrata com as mensagens. Essa sim, essa não, essa não, essa sim. Quando terminei, percebi que ainda sobravam muitas. Pelo menos, todas as que traziam o nome “Luiza” no remetente.

É, saudade anda apertando.

2 comentários:

eulália disse...

em mim a saudade se manifesta em forma de automatismo. lapso freudiano, se preferir. é quando vejo uma coisa bonita ou esdrúxula e procuro nos cantos da bolsa o celular pra tirar foto. da última vez, foi do istituto marangoni. mas o celular francês não tem câmera – droga.

dúvida impertinente: as mensagens que ficaram eram do meu número brasileiro ou do francês?

sophie disse...

both.

até parece que ia apagar número internacional. é status, meu bem.