Dia desses, fui na cozinha da agência buscar o meu café da tarde, sem o qual eu começo a ressonar por volta das quatro horas. Lá estava a nova revisora, que entrou há pouquíssimo tempo e com quem eu ainda não havia tido a oportunidade de conversar.
(eu realmente gosto do trabalho dos revisores: quão divertido é assinalar todos os erros do outro com uma caneta vermelha).
“Oi”. “Oi”. E aquele silêncio meio estranho. Mas, já que vai ter uma relação tão próxima com meus textos (confesso que se algum dia eles vierem marcados eu vou sentir uma vergonhinha), ela resolveu interagir:
- Estava olhando aqui seu cabelão e lembrei.
Nesse dia, eu estava com o cabelo solto e particularmente selvagem.
- Minha filha pegou piolho, você acredita?
Nhã? Piolho ainda existe? Serião?
- E o pior você não sabe: ela passou pra mim.
Ela estava a 20 cm de distância de mim e a 10 de minhas madeixas volumosas. Será que piolho pula, meu deus, será?
- Pois é, ela dorme agarrada comigo, não tinha nem jeito de não pegar.
Coceirinha no alto da cabeça. Agora aqui do lado. Coceira all over. Pulou, eu sei que pulou.
- E nem coçou, olha que engraçado.
Pois em mim está coçando, moça. Muito. Meu couro cabeludo não é frígido igual ao seu.
- Mas aí eu passei o remédio e acho que melhorou.
Acha? Me vê um pente fino aí, faizfavor. E esse remédio também, porque sinto que estou compartilhando parasitas com você – e olha que nem te dei essa intimidade toda.
É interessante observar como algumas coisas do behaviorismo fazem sentido. Toda vez que eu vejo a revisora, dou uma coçadinha no cocuruto.
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2 comentários:
HAUAHAUAHAUHAUAHAUAHAU passo mal!
imagino você indo até a araújo centenário na hora do almoço comprar kwell e voltar com a notinha pra dona pagar.
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