segunda-feira, 31 de março de 2008

Órfã de acentos

Diz que a reforma ortográfica vai entrar em vigor no começo de 2009, Portugal endossando ou não – galera não poderia se importar menos com os lusitanos, que estão enrolando há tempos e boicotando a insurreição no Aurélio (shame on you, Sá Guimarães). Podia ser até bonito de se ver: ex-colonizados na tomada revolucionária da língua-mãe.
Mas o fato é que eu senti um aperto no âmago da minha sintaxe. Despeito mesmo. Eu que me dedico tanto a burilar a ortografia e deveras me esmero na gramática fui subitamente rebaixada a uma pessoa que escreve “enjoo” e “para” como se fosse verbo. Oh, senhor. Daqui a pouco já não tem mais diferença entre traz e trás, vira tudamemacoisa.
E o que mais está me matando é a execução sumária do trema. Dicolé, gente, o trema realmente faz diferença na palavra. Cinqüenta e cinquenta são coisas diversas, pô. Pra começar, a segunda versão tem um tracinho vermelho bem acusativo no Word.
O guia malvado das mudanças diz o seguinte: “o trema deixará de existir, exceto em nomes próprios e seus derivados”. Ou seja, a não ser que meu filho chame Anhangüera, posso dar adeus aos pontinhos supra-simpáticos.

Aproveita, portuguesa, que ainda por uns bons meses você pode escrever maïs e Raphaël sem medo de errar.

sábado, 29 de março de 2008

Então eu resolvi

Resolvi lhe mostrar o que vai bombar no Brasil quando você estiver de volta. dança do créu nada, a moda agora é dança do quadrado



Dança do Quadrado



(detalhe: o anão é amigo meu)

Desculpe meu silêncio, Luine!

=/

sexta-feira, 28 de março de 2008

no 64 lotado eu acho paia.

64 é o ônibus mais divertido do mundo. Na verdade são 2. Dois pedações unidos por uma sanfona. O ônibus vira, revira as pessoas lá dentro e nada da sanfona soltar uma notinha. ô miséria.

Quase nunca tem lugar pra sentar, mas terça tinha. Um lugar depois da sanfona no ônibus verde em-pleno-dia-de-jogo-no-mineirão-na-semana-do-centenário-do-galo. É nessas horas que você sente o tenso limite entre sorte e azar.

Mas o lugar tava lá... eu não estava fazendo nada... peguei. Dois pontos na frente meio mol de galoucura entra, de boassa. Caminhando e cantando. Umas pessoas levantaram e foram lá pra frente e eu achei graça. Poxa gente, eles estão só torcendo. Continuei sentada, ouvindo música nos meus fones egoístas e grifando texto para a aula do dia seguinte.

Depois mais meio mol entrou. Um mol mais barulhento e agitado. Os fones já não davam conta do barulho, começou um calorzinho e TUM! Aí pensei comigo que ou clap your hands and say yeah tinha remixado details of the war ou alguém tinha estourado aquela tampa superior do ônibus. Galera resolveu brincar de surfar por cima do ônibus e eu concentrada no texto porque se deusmelivreeguarde alguém caisse lá de cima eu não queria ver.

Mais uns 200 metros o motorista para. A galoucura grita. E o único gol que tinha passado era um vermelhinho com mais meio mol de galoucura dentro. Tava começando a ficar nervosa. Grifo já tinha virado arte abstrata e eu pensando no meu mundinho seguro e limitado.

Eis que o moço atrás de mim berra um CUUUU enfático, o da frente diz que é falta de respeito e engrossa a voz. Eu não gritei nada, mas tranquei o meu. E ali, a dois palminhos de anão do meu nariz começou uma pequena porrada. Quando digeralrredoupoquimpratras saltei com as pernas bambas de menina do mato que não sabe bem das coisas da cidade. Me agarrei na sanfona. Acho que foi porque eu passei de preta pra branca que as pessoas começaram a me oferecer lugar. E eu dizendo que era meu jeito de parabenizar o galo.

Passou mineirão, tudo quanto era mol desceu e eu fiquei lá. Não sentei de novo. Não peguei papel pra grifar. Não fiz nada. Só voltei a ser preta.

catalepsia modo off

juro portuguesa. vou parar de ser desalmada. mas a culpa é do homem branco, que insiste em tirar foto.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Gustave revirou na tumba


Diante da versão comemorativa da Torre, tenho duas perguntas:
1- daonde que saiu essa bainha?
2- dá pra tirar antes de eu chegar, faizfavor?

Tempos idos

Uma inspiração mui fueda para a camisa que deveríamos ter feito.




Inoxidável. Quer dizer, brilhante.

Por que você não olha pra mim, ô ô.

Tenho muito medo de sofrer um acidente enquanto eu estiver usando minhas lentes. Assim, pânico. Vai que eu fico comatosa duas semanas, os médicos não percebem que estou com os incômodos acessórios oftálmicos e eu acordo cega? Ou então eu mesma, no meu aturdimento pós-trauma, coço o olho com força e causo danos irreparáveis. Sempre lembro de uma história que me contaram de uma menina que se coçou com muita empolgação e afundou o globo ocular pra dentro da cabeça. O horror, o horror.
Hoje eu estava com muita pressa de chegar a algum lugar e os carros em uma avenida qualquer não me deixavam atravessar. Eu investia de três segundos em três segundos e tinha que voltar pra calçada, aflitíssima. A cada tentativa suicida, meu juízo me alertava que eu ia ser atropelada. E eu me consolava secretamente: “tudo bem, eu tô de óculos”.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Recordar é viver

Então, hoje eu tive uma reunião na Pernambuco com Brasil. Andei os familiares seis quarteirões conversando e só caí em si quando cheguei na esquina.
Ele continua lá, do outro lado da rua. Olhei, só de soslaio, só um pouquinho.
Apontei sem ver para o dito-cujo e falei com o André:
“Tá vendo aquele prédio? Minha amiga que mora na França mora ali”.

E não abro mão.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Você provavelmente não sabe

Que a Casa do Whisky que ficava na Contorno com Nossa Senhora do Carmo não existe mais.
Que apesar do calor semi-insuportável, as vitrines estão cheias de botas e sapatos escuros.
Que as águas de freaking março estão fechando o verão e atolando meu all star na lama.
Que a Lápis fez um anúncio colaborativo para o Dia da Mulher.
Que eu me apaixonei seriamente por Carla Bruni.
Que o hemisfério esquerdo do cérebro controla a sintaxe e o direito, a semântica e a pragmática.
Que estou lendo sobre Alice Lidell e Charles Dodgson (aka Lewis Carroll), por isso lembro de você antes de dormir.
Que o Marcelo saiu ontem no paredão.
Que eu só não tenho saudade de mim mesma, porque todo o resto da minha vida faz falta.
Que o guaraná Kuat tem embalagem nova.
Que não saber de você aperta doído.

terça-feira, 4 de março de 2008

Uhu

Galantes.

sábado, 1 de março de 2008

Da semana

Me identifiquei bastante com o relato de Sofia sobre sua batalha em busca da derradeira disciplina do semestre (o último de PP, se Deus quiser!). Sim, também sofri com isso esta semana. No meu caso, a luta foi por uma matéria optativa da Comunicação...Pode uma coisa dessas? Tudo começou quando descobri que o Colegiado está bem mais rigoroso para autorizar a obtenção da segunda habilitação. Agora, a nota da prova do Seminário de Habilitação é apenas um dos métodos de avaliação, sendo o portifólio e o percurso acadêmico do aluno os fatores que mais pesam. Fiquei muito preocupada, porque não fiz muitas matérias de RP. Precisava de pelo menos mais uma este semestre para que, no próximo, eu tenha mais chances de ser aprovada no Seminário. Só que as matérias de RP foram incrivelmente disputadas. Todas as turmas estão lotadas. Deu um trabalhinho para conseguir a matrícula, que envolveu quatro dias de visitas ao querido Colegiado da Comunicação (nem vale a pena entrar em detalhes...).

Bom, chega de assunto ruim, né? Porque a semana também reservou coisas boas, uai! Na terça, Sofs e eu fomos a uma palestra com o Arnaldo Antunes. Ohnnn! Ele é um amor! Recitou coisas lindas e quando recebeu um presente de uma moça da platéia até mandou beijinho para ela! Um luxo! No mesmo dia, Sofs me apresentou mais uma pérola do Youtube: "O Rei dos Elogios"! Luine, quando ouvi o "áudio/vídeo" me lembrei muito de você! Nosso vocabulário dá um salto quali e quantitativo depois de conhecer "Carro Velho"! Fraga aí:

http://br.youtube.com/watch?v=bvxGLqavcJE

E ontem rolou vinhada da medicina. Na chegada, uma fila imeeeensa. Mas Madre, cheia de contatos no local, conseguiu adiantar nossa entrada em 100%: chegamos e entramos. O lugar já estava bem cheio, daí fomos rápido comprar as bebidas. Como é usual nas vinhadas da medicina, antes da latinha vem a droga da ficha. Ô, gen! Vocês num tem noção do que foi passar cinquentas zoras assando dentro de um bolo de gente se empremendo. Só Sofia pode dizer, porque foi ela quem ficou até o fim, guerreira, sofrendo agressões físicas de toda ordem para conseguir as malditas fichas. Era tipo uma pessoa para atender 500! Pode? Sem falar que a ficha acabava toda hora...Uma pouca vergonha! Tirando essa parte, a festa foi legal. Nos divertimos muito com velhos companheiros de Sofs e Guigui no Santo Agostinho. Sem falar que ficamos bebinhas com nem uma, nem duas, mas, tipo, três latinhas. Mas o mais importante deixamos para o próximo semestre, quando poderemos desfrutar da companhia de Luine para colocar em prática o ritual da urina a céu aberto em uma área de saúde pública. 2008/02 que nos aguarde!