terça-feira, 27 de maio de 2008

novo hit

da série: minha mãe fez orkut

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"olha gente, quando eu morrer quero música animada no meu velório, é só ir lá nos vídeos favoritos do meu orkut, tá tudo lá."

segunda-feira, 12 de maio de 2008

É só vaidade.





A intenção existe: está lá.

Pontada, contração, espirro.
Acontece, com esforço, numa vontade: e escorrega, suor.
Intenção vira idéia, palavra, parágrafos, se desdobra em cenas.
E, de repente, não é mais da gente. Ganhou outras intenções. Muitos propósitos, e, de propósito, nenhum deles é nosso. Já sabemos. De repente a idéia não é mais nossa. E se já sabíamos, então que mal faz? Há tantas outras idéias, intenções.
É como apertar uma campainha que não é nossa, e só parar de correr quando as pernas começam a doer, mesmo sabendo, que há muito, já não corremos o risco de ser flagrados.


Êta vontade besta de não deixar ninguém encostar com mãos sujas de barro nas nossas idéias – parece poeminha, mas é só vaidade.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Achei legal e resolvi compartilhar

É necessário estar sempre bêbado.
Tudo se reduz a isso; eis o único problema.
Para não sentirdes o horrível fardo do Tempo, que vos abate e vos faz pender para a terra, é preciso que vos embriagueis sem cessar.
Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, a vossa escolha.
Contanto que vos embriagueis.
E, se algumas vezes, nos degraus de um palácio, na verde relva de um fosso, na desolada solidão do vosso quarto, despertardes, com a embriaguez já atenuada ou desaparecida, perguntai ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntai-lhes que horas são; e o vento, e a vaga, e a estrela, e o pássaro, e o relógio, hão de vos responder: É hora de se embriagar!
Para não serdes os martirizados escravos do Tempo, embriagai-vos; embriagai-vos sem tréguas!
De vinho, de poesia ou de virtude, a vossa escolha.

(Baudelaire)

e viva o flâner!

Mario bomba e sempre bombará



é bom saber que sempre existe alguem mais desocupado que eu.

Habilidade, diria Maisa

Pais akas, da África Central, ensinam bebês de 8 a 10 meses a usar pequenas lanças, arpões, e machados em miniaturas. Não é incomum ver uma criança de 8 meses com uma faca de 20 centímetros, cortando os galhos a serem usados na estrutura da sua casa. Aos 3 ou 4 anos de idade, as crianças podem preparar suas próprias refeições no fogo.

Agora olha o que os ocidentaizinhos sabem fazer:




Diversidade cultural, gentem.

Isso merece um post

Pronto, já desabafei.

Os macs não me consolam

Cumprindo a minha cota diária de literatura antes de dormir, cheguei a uma passagem em que os protagonistas planejam publicar um jornal. Definido o projeto editorial do periódico – uns protestos, umas críticas de filmes, um artiguinho –, eles partem para o gráfico. Designam x colunas para o conteúdo e x + 2 para anúncios. Daí, ficam preocupados com a a execução – quem ia conseguir os clientes? quem ia fazer as peças? Um dos mocinhos me solta essa:
- Fiquei sabendo que na Inglaterra e nos Estados Unidos tem uns homens importantíssimos, que ficam sentados o dia todo escrevendo anúncios.
Até sorri de lado. O narrador não precisou uma data, mas parece que a história se passa lá pelos anos 60. Inevitavelmente, lembrei do episódio de Mad Men que vi outro dia, série que acompanha uma agência também nos anos 60 (passa na HBO). É basicamente assim: luxo. Glamour. Ternos. Roughs desenhados a mão. Scotchs no meio do expediente.
Gostei particularmente de um trecho em que o redator está prospectando a secretária nova e resolve mostrar o ambiente. Ele pergunta se ela entendeu como o negócio funciona (rá!) e ela responde que sim: os redatores mandavam no departamento de arte, a mídia mandava no atendimento e o atendimento mandava nos redatores. E o galã devolve:
- Oh, no, honey. Nobody tells the copywriters what to do.

Quase 50 anos depois, minha irmã estava assistindo a um desenho qualquer no Futura. Durante o intervalo, começaram a anunciar outra atração do canal, com bichinhos de pelúcia saltitantes. Locução muito sinistra acompanhava uma rata cinza de chapéu: “A situação de Dona Ratazana está cada vez pior na delegacia. Mas aparece alguma coisa para ajudá-la”. Nisso, a rata de esgoto – que me pareceu realmente muito sinistra – estende a mão para um flyer vermelho, todo redigido em comic sans: “Sua imagem anda suja? Seu nome está com problemas? Eu resolvo. Omar Keteiro – publicidade e propaganda”.

Ou seja: tempo bão não vorta mais.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Explica essa

Perguntado certa vez se o seu charuto não seria um símbolo fálico, Freud teria respondido: "Às vezes, um charuto é apenas um charuto".
Ele não conheceu Bill e Monica.

Estímulo-resposta

Dia desses, fui na cozinha da agência buscar o meu café da tarde, sem o qual eu começo a ressonar por volta das quatro horas. Lá estava a nova revisora, que entrou há pouquíssimo tempo e com quem eu ainda não havia tido a oportunidade de conversar.
(eu realmente gosto do trabalho dos revisores: quão divertido é assinalar todos os erros do outro com uma caneta vermelha).
“Oi”. “Oi”. E aquele silêncio meio estranho. Mas, já que vai ter uma relação tão próxima com meus textos (confesso que se algum dia eles vierem marcados eu vou sentir uma vergonhinha), ela resolveu interagir:
- Estava olhando aqui seu cabelão e lembrei.
Nesse dia, eu estava com o cabelo solto e particularmente selvagem.
- Minha filha pegou piolho, você acredita?
Nhã? Piolho ainda existe? Serião?
- E o pior você não sabe: ela passou pra mim.
Ela estava a 20 cm de distância de mim e a 10 de minhas madeixas volumosas. Será que piolho pula, meu deus, será?
- Pois é, ela dorme agarrada comigo, não tinha nem jeito de não pegar.
Coceirinha no alto da cabeça. Agora aqui do lado. Coceira all over. Pulou, eu sei que pulou.
- E nem coçou, olha que engraçado.
Pois em mim está coçando, moça. Muito. Meu couro cabeludo não é frígido igual ao seu.
- Mas aí eu passei o remédio e acho que melhorou.
Acha? Me vê um pente fino aí, faizfavor. E esse remédio também, porque sinto que estou compartilhando parasitas com você – e olha que nem te dei essa intimidade toda.

É interessante observar como algumas coisas do behaviorismo fazem sentido. Toda vez que eu vejo a revisora, dou uma coçadinha no cocuruto.