sexta-feira, 28 de março de 2008

no 64 lotado eu acho paia.

64 é o ônibus mais divertido do mundo. Na verdade são 2. Dois pedações unidos por uma sanfona. O ônibus vira, revira as pessoas lá dentro e nada da sanfona soltar uma notinha. ô miséria.

Quase nunca tem lugar pra sentar, mas terça tinha. Um lugar depois da sanfona no ônibus verde em-pleno-dia-de-jogo-no-mineirão-na-semana-do-centenário-do-galo. É nessas horas que você sente o tenso limite entre sorte e azar.

Mas o lugar tava lá... eu não estava fazendo nada... peguei. Dois pontos na frente meio mol de galoucura entra, de boassa. Caminhando e cantando. Umas pessoas levantaram e foram lá pra frente e eu achei graça. Poxa gente, eles estão só torcendo. Continuei sentada, ouvindo música nos meus fones egoístas e grifando texto para a aula do dia seguinte.

Depois mais meio mol entrou. Um mol mais barulhento e agitado. Os fones já não davam conta do barulho, começou um calorzinho e TUM! Aí pensei comigo que ou clap your hands and say yeah tinha remixado details of the war ou alguém tinha estourado aquela tampa superior do ônibus. Galera resolveu brincar de surfar por cima do ônibus e eu concentrada no texto porque se deusmelivreeguarde alguém caisse lá de cima eu não queria ver.

Mais uns 200 metros o motorista para. A galoucura grita. E o único gol que tinha passado era um vermelhinho com mais meio mol de galoucura dentro. Tava começando a ficar nervosa. Grifo já tinha virado arte abstrata e eu pensando no meu mundinho seguro e limitado.

Eis que o moço atrás de mim berra um CUUUU enfático, o da frente diz que é falta de respeito e engrossa a voz. Eu não gritei nada, mas tranquei o meu. E ali, a dois palminhos de anão do meu nariz começou uma pequena porrada. Quando digeralrredoupoquimpratras saltei com as pernas bambas de menina do mato que não sabe bem das coisas da cidade. Me agarrei na sanfona. Acho que foi porque eu passei de preta pra branca que as pessoas começaram a me oferecer lugar. E eu dizendo que era meu jeito de parabenizar o galo.

Passou mineirão, tudo quanto era mol desceu e eu fiquei lá. Não sentei de novo. Não peguei papel pra grifar. Não fiz nada. Só voltei a ser preta.

2 comentários:

Anônimo disse...

o punctum: as pessoas oferecendo lugar pra morena com cara de brava, então, a ponto de desfalecer. por aí calculo o estado do seu aturdimento. imaginei o sorrisinho sem graça de quem não esperava [e não julgava precisar] de tamanha gentileza. obrigada mesmo pela pomada, viu?

bom ouvir de você, indiazinha. por um momento cogitei a hipótese de que um levante armado de flechas e machadinhas estivesse prestes a se insurgir contra mim.

sophie disse...

miacabei com a mameluca.
legítimo ataque da perereca furtacor.